IODE-PMEs avança 1,0% em agosto, mas ritmo de crescimento das PMEs segue fraco O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) aponta que a movimentação financeira média real das pequenas e médias empresas brasileiras registrou um modesto avanço de 1,0% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo...

23 de setembro de 2026
Jornal Contábil

O Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs) aponta que a movimentação financeira média real das pequenas e médias empresas brasileiras registrou um modesto avanço de 1,0% em agosto de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o índice soma alta de 2,9%, patamar ainda abaixo do observado no mercado de PMEs entre 2022 e 2024, refletindo especialmente os tímidos resultados registrados nos últimos meses. O resultado mensal foi sustentado, principalmente, pelo desempenho do Comércio, enquanto Serviços apresentou estabilidade.

O IODE-PMEs funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$50 milhões, acompanhando cerca de 756 atividades econômicas distribuídas entre os setores de Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços.

De acordo com Felipe Beraldi, economista da Omie, o mercado de PMEs enfrenta dificuldade para alavancar o faturamento real desde o segundo trimestre deste ano. “Isso acontece em meio a um cenário econômico complexo, marcado por juros ainda em níveis elevados, alto grau de endividamento das famílias e das empresas e queda persistente da confiança dos agentes econômicos. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, recuou em agosto pelo quarto mês consecutivo, cedendo 3,6 pontos e atingindo 84,7 pontos, que é o menor nível desde novembro de 2022”, explica.

Do lado da política monetária, o Banco Central vem promovendo cortes discretos na Selic nos últimos meses, mas o custo do crédito segue restritivo para o financiamento das operações das pequenas e médias empresas. Na ponta da inflação, o IPCA recuou 0,32% em agosto, levando o acumulado em 12 meses a 4,22% — ante 4,44% em julho —, o segundo mês seguido dentro do intervalo de tolerância da meta perseguida pelo Banco Central. Apesar do alívio inflacionário, o efeito cumulativo de tantos meses de juros altos continua a se refletir diretamente na atividade real das PMEs.

Esses desafios também aparecem na Sondagem Omie das PMEs (edição de agosto/26), segundo a qual 54% dos empresários consultados esperam que o ambiente econômico afete negativamente seus negócios no curto prazo. O pessimismo ganha contornos ainda mais concretos ao analisar os gargalos econômicos indicados pelos empresários. As taxas de juros elevadas despontam como a principal barreira ao crescimento, citadas por 59% das PMEs — um grande salto frente aos 49% registrados anteriormente —, evidenciando o impacto direto da Selic em níveis historicamente altos no estrangulamento financeiro das empresas.

No detalhamento setorial, o Comércio foi o principal sustentáculo do IODE-PMEs no mês, com expansão de 1,3% na comparação anual. O resultado positivo foi puxado tanto pelo Atacado quanto pelo Varejo, ainda que o segmento de veículos tenha registrado recuo no período.

O setor de Infraestrutura foi o único setor a operar em território negativo no mês, com queda de 2,2% na comparação anual. A cadeia de construção civil segue pesando negativamente no desempenho das PMEs do setor, ainda que os ‘Serviços especializados para construção’ tenham evitado uma retração ainda mais acentuada no período.

A Indústria, por sua vez, também contribuiu discretamente para o resultado positivo do índice, com alta de 0,8% em agosto. O ligeiro avanço foi garantido, especialmente, pelo avanço do faturamento na ‘Fabricação de papel’, ‘Fabricação de alimentos’ e ‘Fabricação de produtos químicos’. Por outro lado, dos 23 segmentos da Indústria de Transformação acompanhados pelo IODE, 12 registraram retração em agosto na comparação anual, evidenciando a heterogeneidade do desempenho industrial no mercado de PMEs no período recente.

O setor de Serviços apresentou estabilidade, com variação de 0,2% na comparação anual, após o recuo observado no mês anterior. A manutenção do patamar foi garantida pela expansão de atividades como ‘Saúde humana’, ‘Atividades profissionais, científicas e técnicas’, ‘Transporte’ e ‘Educação’. Em contrapartida, o segmento de ‘Alojamento e Alimentação’ — que concentra grande volume de micro e pequenas empresas — voltou a registrar retração no mês.

Em suma, o balanço de riscos para as PMEs segue enviesado para baixo. A manutenção dos juros em patamar elevado por um período prolongado, o alto nível de endividamento e a deterioração persistente da confiança de empresários e consumidores continuam a limitar a capacidade do setor de alavancar o faturamento. “Ainda que a desaceleração da inflação abra algum espaço para novos cortes de juros à frente, o efeito sobre a atividade tende a ser gradual e só deve ser sentido pelas PMEs adiante. Diante desse cenário, o desafio das pequenas e médias empresas permanece o mesmo dos últimos meses: sustentar o crescimento em um ambiente de demanda contida, custo de capital elevado e incertezas persistentes”, conclui Beraldi.

Sobre o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs)

Compreendendo a relevância das PMEs no desempenho econômico do nosso país, a Omie desenvolveu o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs), que acompanha as atividades econômicas das pequenas e médias empresas brasileiras. A pesquisa da scale-up Omie é um tipo de apuração inédita entre as empresas do segmento, atuando como um termômetro econômico das empresas com faturamento de até R$50 milhões anuais, além de oferecer uma análise segmentada setorialmente do mercado de PMEs no Brasil. Para elaborar os índices, a Omie analisa dados agregados e anonimizados de movimentações financeiras de contas a receber de mais de 200 mil clientes, cobrindo 756 CNAEs (de 1.332 subclasses existentes) – considerando filtros de representatividade estatística. Os dados são deflacionados com base nas aberturas do IGP-M (FGV), tendo como base o índice vigente no último mês de análise, com o objetivo de expurgar o efeito meramente inflacionário na série temporal, permitindo que se observe a evolução das movimentações financeiras em termos reais.

Sobre a Omie

Fundada em 2013 por Marcelo Lombardo e Rafael Olmos, a Omie tem o propósito de destravar o crescimento de todos os tipos de negócios, oferecendo um sistema de gestão inovador, completo e ilimitado, ancorada em quatro grandes pilares: Gestão, por meio do software; Educação, por meio da Omie.Academy; Finanças, por meio de linhas de crédito e soluções para apoio à gestão de PMEs; e Comunidade, por meio de um ecossistema que conecta clientes, fornecedores e prestadores de serviços. Líder do segmento, a empresa conta com mais de 25 mil escritórios contábeis parceiros, mais de 200 mil clientes e aproximadamente 1100 colaboradores. Atualmente, o Omie processa mais de R$ 40 bilhões em notas fiscais emitidas por mês, representando um fluxo de cerca de 4,0% do PIB brasileiro.

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